quarta-feira, 22 de março de 2017

O aparecimento do cozido...





Mais um salto... até há cerca de 1,7 milhões de anos!

Temos na nossa frente o "Homo "erectus" que dispõe agora de artefactos mais evoluidos, sobretudo os bifaces (instrumentos de pedra, talhados dos dois lados). Assim equipado ele atreveu-se já a "viajar" para algumas zonas do Oriente, do Norte de África e do sul da Europa. O Homem começa a tomar conta da terra!
Nestas deambulações, o nosso homem encontra frequentemente climas muito rigorosos....ele abriga-se em cabanas ou grutas naturais e....consegue, pela primeira vez, na história humana, dominar uma grande força da Natureza - o FOGO!
A chama brilhante que, de quando em vez, cai do céu e lhe devasta o arboredo e animais de que se alimenta, ele consegue agora produzi-la por fricção de dois pedaços de madeira ou de duas pedras. Que MARAVILHA!

Ele está simplesmente atónito! (oh! Manuel achas a palavra atónito mais uma palavra-cara da Avó, serve-te aparvalhado?)
Dá-se, então, na sua vida simples, pouca diferente ainda de qualquer outro primata, uma autêntica revolução: o conforto de uma fogueira nos momentos mais frios, a agradável convivência em redor dessa chama confortável  que lhe acrescentará  a vontade de comunicação, a segurança trazida pela fuga dos animais a quem a chama intimida e assusta e.....um dia a descoberta que a carne passada pelo fogo é mais saborosa e tenra!
Aparece assim o "cozido" na alimentação humana, É um novo sabor e podemos pôr a hipótese de não ter sido, por todos, rapidamente aceite. Passar do cru ao cozido tem ainda outro efeito:reduzir no que se come elementos tóxicos ou indigestos o que irá, certamente ,contribuir para uma melhor e maior sobrevivência.
Observando hábitos de povos primitivos actuais, podemos concluir que, além do cozimento feito directamente na chama, os homens do Paleolítico grelhariam os alimentos numa pedra aquecida (esta ideia de que nós, modernos e civilizados, somos os inventores de "tudo".....) ou cozê-los-iam dentro   de uma carcassa, pele ou orgãos estanques que encheriam de água e suspenderiam sobre o calor da fogueira ou ainda em pedras escavadas também previamente aquecidas e cheias de água.              

Estamos, pois, perante o nascimento da gastronomia, o aparecimento do "cozinheiro/a" (esta última parece a mais viável, já que por estas alturas, num acampamento organizado, o homem tinha como principal função partir em caçadas e a mulher "ficar em casa", apanhando os alimentos que há por perto e fazer aquilo a que chamaremos tarefas domésticas - cozinhar, tratar das "roupas", cuidar das crianças e velhos......(a história do costume!.....)
Ainda hoje há quem goste do cru. Os bifes tartáros, os sushi, o ceviche, as ostras, são disso um exemplo.
 
Nos rios, lagos e prais do litoral o homem tinha também recursos alimentares, fáceis de apanhar-peixes, moluscos, conchas, e até algas comestíveis. 

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